sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Trekking ao redor do Manaslu


Bom, depois de tanto tempo sem escrever é interessante olhar pra trás e ver tudo o que já aconteceu nesse tempo.

O trekkingo do Manaslu (uma das 14 montanhas com mais de 8.000 m) foi muito bacana, principalmente por ter sido o meu primeiro como "trainee" de guia. O grupo era fora dos padrões... rs. Um pessoal um pouco mais velho e mais lento na trilha, e outro pessoal que apesar de não serem jovens, andavam bem. E assim, tivemos que ter um jogo de cintura enorme pra conseguir lidar com isso.
Estávamos acampados, pois não existe uma estrutura boa de lodges (algo como pousada) nessa região. Por outro lado, a cultura e os vilarejos são bem mais preservados, já que vai muito pouco turista... O que é muito legal. O ruim da estória é que o clima judiou um pouco. Tivemos um tanto de chuva e, pra quem não está acostumado a acampamento, pode ser super desconfortável. E, qdo já estávamos bem alto na trilha (uns 4.000 m), tivemos 3 dias de neve pesada. Nesses dias, acabamos alocando o pessoal no lodge pra ficarem mais confortáveis. Mas o gde problema é que tínhamos que fazer um "passo alto" (passagem entre dois vales de montanhas) pra continuar e terminar o trekking. Sabíamos que seria um dia super puxado devido a altitude (5.000 m) e a distância, e o pessoal era lento. Além disso, com as nevascas, iria ser pior que o normal. Estávamos já a ponto de desistir e chamar o helicóptero... Mas São Pedro resolveu dar uma canja e o tempo melhorou 100%. Céu azul, frio e neve branquinha... A galera se pilhou, e fomos.
Como nada rolou sem emoção... rs, tivemos um pouco no dia do passo. Uma das clientes começou e apresentar os sintomas de mal de altitude. Isso é super sério, e pode evoluir pra edema pulmonar, ou cerebral, e ai.... vixe, melhor nem pensar. Ela estava realmente mal, indo pra edema pulmonar, já não conseguia andar, mesmo tomando vários remédios. Tínhamos dois cavalos para os clientes e ela foi direto em um deles. Mas, no passo, o caminho era muito estreito e pedregoso, o cavalo não conseguia ir com alguém em cima. Bom, um dos nossos sherpas, um cara muito forte (Ringe) acabou indo com ela nas costas na parte final da subida e na parte mais íngreme da descida. Qdo foi possível novamente que ela cavalgasse, ela foi no cavalo. Eu fui acompanhando ela e outra cliente. O Manoel foi com o outro pessoal que estava ficando pra trás. Acabamos fazendo um acampamento de emergência no caminho. Um lugar já fora da altitude, perto de um rio. Tínhamos toda a estrutura de cozinha, comida, etc, então foi tranquilo. Mas a cliente estava realmente mal, mesmo descendo. Cogitamos chamar o helicóptero no dia seguinte de manhã. Mas, no dia seguinte, ela estava super bem e disse que queria seguir. Ela começou andando super bem, estávamos todos animados por termos feito o passo. perto da hora do almoço ela começou novamente a ficar mal. Pegou um dos cavalos. Além disso, estávamos muito atrasados e faltava muito ainda pra chegar. Pra agilizar, eu fui acompanhando a cliente com o cavalo e mais 3 que andavam rápido. O Manoel foi com outra cliente que estava mais lenta. Um dos sherpas foi comigo tb. Chegamos já a noite no lodge, muito cansados e decidimos que não dava mais pra ela continuar. Ela ficou super triste, queria terminar o trekking, mas não dava mais... No dia seguinte o helicóptero chegou, levou ela e mais uma cliente. Pra nós, ainda restava dois dias de caminhada até o final da trilha.
Esses dois dias foram  bem mais tranquilos, com direito a banho quente (uauuuuuuu) nos lodges e quarto com banheiro (uauuuuuuuuuuuuuuuuuu) no último dia.
Em Katmandu, encontramos com as duas. Estavam super bem, a clínica que "usamos" com clientes é ótima. No fim tudo acabou bem, e pra mim foi um batismo "com emoção" de sobra.... rs.
abraços e bjs!
Li



Nenhum comentário:

Postar um comentário